Adar – Alta Luna
Em uma vila costeira esquecida, onde a neblina se agarrava às falésias como o abraço de um amante, havia uma lenda sobre um ser que exalava o aroma do mar e das estrelas. Esse ser, nem totalmente humano nem inteiramente divino, emergia das ondas ao amanhecer, com a pele cintilando em um orvalho de toranja e aldeídos. Sua presença era um mistério; sua fragrância, um feitiço.
Os moradores a chamavam de Alta Luna, a musa de prata. Alta Luna vagava pelas ruas de paralelepípedos com uma aura que misturava cítricos frescos e heliotrópio em pó, deixando um rastro de sussurros de flor de laranjeira e brisas aquáticas. Quem sentia seu perfume experimentava uma calma inexplicável, como se a maré tivesse aliviado o peso de suas preocupações.
Mas era ao anoitecer, quando o sol mergulhava no horizonte, que a verdadeira essência de Alta Luna se revelava. O calor do almíscar, da cumarina e da baunilha os envolvia como um manto, atraindo as pessoas. Elas seguiam Alta Luna até a beira das falésias, onde ela desaparecia na névoa, deixando apenas o rastro persistente de seu perfume e uma sensação de nostalgia em seus corações.
Notas de topo: Toranja, aldeídos, acorde marinho.
Notas de corpo: Heliotrópio, flor de laranjeira, acorde floral aquático.
Notas de fundo: Almíscar, cumarina, baunilha.
Perfumista: Miguel Matos

